sexta-feira, 3 de junho de 2016

Hoje...

Nem tudo é preto no branco. Nem tudo tem uma explicação simples. Nem tudo é uma questão de escolha. Nem tudo depende de nós mesmos. O futuro é sempre uma incógnita. Mas decidi que tu não vais fazer parte do meu futuro. Preto no branco. Uma escolha minha, mas que também foi tua. Com uma explicação óbvia.
Porque tu nunca irás entender, tu não sentes nada, não te preocupas com nada além de ti. Tu usas as pessoas, só as enganas, manipulas, para teres o que queres. Dizes aquilo que sabes que elas querem ouvir, precisam ouvir para cair aos teus pés, para acreditarem em ti... E depois são descartadas, porque já serviram a sua função. Até precisares delas novamente. Não dás valor, só procuras alguém quando precisas, mas fora isso, elas não existem. Por isso, tendo eu sido uma das pessoas que só procuravas quando estavas a precisar de algo, vou fazer de conta que quem não existe, és tu. A partir de hoje. Porque hoje pensei em ti, tudo me lembrou de ti, da tua voz, do teu cabelo, da tua maneira de ser e de agir, e de como eu era contigo, daquilo que sentia quando estava contigo. E hoje eu decidi que não ias fazer parte do meu amanhã. Não fazes mais parte da minha vida. Não vais mais manipular-me, usar-me e fazer com que te ponha nos amigos prioritários, quando nunca me consideraste uma amiga, sequer. És passado, as tuas mensagens... E vou esquecer-te de vez, mais cedo ou mais tarde... Porque hoje estou mais forte, deixei tudo de lado. Decidi fazer como tu e deixar-te para trás, apenas como uma memória. Não vou mais sofrer por alguém que não se preocupa minimamente por mim, ou pelo resto das pessoas que estão à volta dele a tentar ajudar. Porque se para ti a minha amizade não vale a pena, para mim também não... E não, não é fácil, nunca é fácil esquecer... Mas como já ouvi dizer por aí "aceitar dói menos". E por muito importante que tenhas sido, as pessoas mudam e eu vi que me enganei a teu respeito, e que entre nós os dois havia apenas uma pessoa preocupada com a outra: eu. Apenas uma a confiar na outra: eu. Apenas uma que sentia que realmente havia algum tipo de sentimento de amizade recíproca: eu. Apenas uma pessoa verdadeira: eu.
Há uns anos atrás eu iria fazer de tudo para sermos amigos, termos uma boa relação, não acabarmos mal, não ter aquele nervoso miudinho de ter de te ver em algum lado, ou nas redes sociais... Mas as pessoas mudam, crescem, amadurecem. E eu não sou quem era há um mês, imagina há uns anos! Então vê se fazes boas escolhas em relação aos caminhos da vida; eu cá espero que o mar me leve todas as memórias que tenho de nós, me traga paz, e que um dia não vá doer tanto como hoje. Talvez amanhã acorde mais leve em relação a ti... Ou depois de amanhã... Algum dia irá ser. Talvez amanhã passe por ti na rua e não fique receosa de demonstrar fraqueza, ou que a minha voz trema ao cumprimentar-te... Porque amanhã não me vais afetar como me afetas hoje. Porque hoje afetas-me menos do que me afetavas ontem. É só uma questão de tempo...
Adeus. Cuida bem de ti e vê se és feliz.

quarta-feira, 18 de maio de 2016

Esta sou eu...

Esta sou eu. Sem filtros nem mudanças. O cabelo cor de rosa foi por causa do sol e do sítio onde estava. A cor que eu pinto é um vermelho/cobre. É esta a foto original. Não sou magra, sei que não estou em forma. Não tenho os dentes perfeitos, porque apesar de precisar usar aparelho desde bem nova, os meus pais nunca tiveram dinheiro. As minhas roupas não são compradas em lojas de marca e a raiz dos meus cabelos já se nota porque ainda não me dei ao trabalho de voltar a pintar o cabelo. Tenho os olhos meios tortos, embora não dê para perceber nesta foto.

Porque é que estou a dizer isto? Porque é que me estou a "insultar" e a "rebaixar"? Não estou... É esta a verdade. Há alturas em que a minha aparência parece mais importante do que o meu interior. Porque eu não me sinto mal no meu corpo mas as pessoas parecem importadas com isso... E eu muitas vezes torno-me "refém" das opiniões delas. Tento não me preocupar enquanto uso um vestido ou uma saia... Ou um top, ou algo mais apertado. Tento dançar, mas depois vejo algumas pessoas que eu nunca vi na vida, a olharem para mim e a reprovarem a minha atitude. Também já me disseram que a maneira como me visto não está na moda ou adequada para a minha silhueta. E também me disseram que por eu ser gorda devia fechar a boca e parar de comer, quando na verdade eu nem como assim tanto... Já vi magros comerem bem mais do que eu. Chama-se metabolismo. São poucas as vezes em que como porcarias. Também já vi pessoas olharem para mim na praia quando estou de biquíni e falarem com a pessoa ao lado. Ou talvez estivessem apenas a olhar e a falar de outra coisa... Mas ai está... Ao fim de algum tempo começa a custar, e a verdade é q foi isto a minha vida toda . "Ah e tal mas só tens 19 anos"... Sim, 19 anos a dizerem que eu era muito gorda para usar certas roupas, muito gorda para dançar, muito gorda para me apresentar em espetáculos... Muito gorda para ir à praia com elas porque as ia fazer passar vergonha. E já me disseram que não devia sorrir para as fotos ou em público porque se nota que não tenho o sorriso perfeito... A minha dentição não é alinhada, não por falta de escovagem ou por negligencia minha, mas porque a minha boca é muito pequena e não tem espaço para todos os dentes. Isto, porque a minha família é toda muito pequena e a minha estrutura óssea não permitiu que o meu céu da boca alargasse o suficiente. Todos os problemas dentários que eu tive, como cáries, se deve a isso (dito pela dentista).
Também me disseram que o meu namorado (e não foi só com um que me disseram isto) era demasiado magro para mim... Porque, bem... Eu sou gorda. E ele é magro. E demasiado giro para mim. Sim, demasiado giro para mim. Já não basta a falta de auto-estima, que quando arranjo alguém que gosta de mim como sou, me metem na cabeça de que não sou boa o suficiente para ele porque ele merece alguém... Magro?
O mais engraçado (e triste, eu admito), é que eu só me importo com aquilo que os outros dizem e pensam de mim... Porque eu estou bem. Sinto-me bem no corpo que estou. Houve uma altura em que quis emagrecer, e consegui. E fui deixando e engordei de novo... Porque realmente não me importo. E se nas raras alturas em que me olho ao espelho, começo a dar importância a isso, foi porque me meteram na ideia que não sou boa o suficiente só pelos meus defeitos. Quando não me importava muito com isso, nem com as roupas que vestia (mesmo elas sendo "ainda piores" dito por alguém que ainda hoje critica), era feliz... Mesmo quando me vêm dizer que estou ridícula com certas roupas porque não combinam ou porque são antiquadas ou, sei lá, algo mais do dia-a-dia para apenas ver TV e andar por casa ou assim, eu só me quero sentir confortável. Não tenho de andar com certas roupas só para ir ao supermercado e estar por casa.
Eu sempre lidei com o facto de ser gorda. A minha família sempre mo disse. Pessoas na escola sempre me disseram. E eu tenho espelhos e balanças. Mas também já sofri de bullying, seja por parte de colegas de escola, como também por professores, ou por pessoas bem mais próximas que chamava de amigas, e também desconhecidos... E graças a isso, eu importei-me e deixei de gostar de mim porque só via os meus defeitos. Já deixei de comer, já tive vergonha de me despir no vestiários antes de educação física, já chorei... No entanto, mesmo que ainda fique a pensar naquilo que os outros acham de mim, sinto-me confortável com o meu corpo. Fui aprendendo... Se me sinto confortável com aquilo que os outros falam de mim? Não. Porque é o meu corpo. E não lhes diz respeito. Do mesmo jeito que eu não me intrometo nas escolhas de vestuário ou da forma física delas, não sei porque fazem isso comigo. Porque eu sou muito mais que dentes tortos, gordura em excesso, uma possível estrábica e raízes por pintar. Eu sou uma pessoa. E o que está por dentro deveria importar muito mais. Até porque eu me preocupo muito mais com o que eu e o resto das pessoas têm no coração e na cabeça do que com o resto. Não tenho problemas de saúde por ter excesso de peso. Mas talvez tenha algumas "manchas" no meu psicológico devido a este assunto. E prefiro ficar atenta àquilo que me vai na cabeça, no coração, os meus problemas, preocupações, coisas que realmente importam do que com uns quilos a mais que as pessoas tanto têm medo de enfrentar. Então... Esta sou eu. A tentar livrar-me de uma vez por todas deste receio de que as pessoas me venham chamar disto ou daquilo. Do receio de postar fotografias na internet e se notar que realmente eu sou gordinha. Estou a tentar libertar-me do resto da sociedade e a afirmar que sou assim... Com todos os meus defeitos mas principalmente com todas as minhas qualidades. Porque me fartei de deixar de fazer coisas porque me disseram que não tenho a imagem ou silhueta certa para isso, porque tenho estrias e celulite, quilos a mais, dentes tortos... Olhos tortos também. Basicamente devo ser toda torta, vá. Mas além disso ou de qualquer outra coisa, sou uma pessoa... Eu penso, sinto, existo. Sirvo para alguma coisa. Todos servimos. Porque nós não somos só um corpo, porque há muito mais de nós para mostrar e valorizar... Afinal, porquê dar tanto valor à imagem de perfeição de uma maçã, se por dentro ela está completamente podre?


sábado, 7 de maio de 2016

Odeio-te!

Odeio-te. E quem me dera estar a mentir quando digo que te odeio, mas não estou. Eu odeio-te por me fazeres sentir toda esta confusão dentro de mim, por me teres deixado virada do avesso, por me fazeres mudar, por gostar demasiado de ti quando no fundo sei que não vale a pena. E seja a pessoa que for, quando não vale a pena, não há nada a fazer. A falta de notícias, de preocupação, de resposta, as desculpas esfarrapadas, a maneira de falar e de estar diz muita coisa sobre o significado de uma pessoa para alguém. Neste caso, dá para entender o quão insignificante sou para ti... Mesmo que digas que não, mostras o contrário... E dá para notar quando alguém se importa ou quando alguém não dá a mínima importância, a não ser quando precisa de algo. E isso é o pior: quando a pessoa se afasta e só volta quando precisa de algo... Se a pessoa vai, que vá de vez, ou que fique. Mas que não ande a baralhar as outras, que sempre que estão prestes a superar a ausência delas, têm de lidar com o seu regresso. Aprendi que, provavelmente, não vales a pena. E posso chorar, posso sentir saudades, posso sofrer mas não vou mandar mais mensagens. Não mando mais mensagens porque não me respondes. Preocupo-me mas não correspondes, então vou deixar de fazer isso. Porque dizes que voltas, mas não o fazes. Porque dizes coisas que não sentes, só para me calar. Por isso, odeio-te! Odeio-te com toda a minha raiva! Odeio-te porque me mentes! Odeio-te com 98% do meu coração, porque os outros 2% têm um sentimento por ti completamente contrário, que hei de matar, mais cedo ou mais tarde! 
E odeio-me... por muitas razões, mas também porque acreditei em ti, de todas as vezes que falaste comigo, que me fizeste confiar em ti, que deixei o meu medo de lado por ti... Porque só acabei por me magoar. Fui a única a deixar o medo de lado, e tramei-me. Então, se me deixas de parte, irei deixar-te de parte, também. Não porque quero, mas porque preciso. Porque estou farta de me desiludir contigo de todas as vezes que tento ajudar, falar... Porque dizes uma coisa, e fazes outra completamente contrária. Porque me magoas, e só te importas às vezes, e não é suficiente, porque cometes os mesmos erros de novo, e de novo, e de novo... Cometemos! Cometemos os mesmos erros... Porque tu fazes, e eu volto a confiar, uma e outra vez. Ou seja, neste caso, sou eu quem erra mais. por voltar a confiar em alguém que, pelos vistos, não é digno dessa confiança. E quem me dera estar enganada... Quem me dera não sentir nada por ti. Nem ódio, nem carinho, nem o resto... Quem me dera não me preocupar contigo. Parece tão fácil, e mesmo assim viras tudo do avesso.

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